HO'OPONOPONO
Ho’oponopono e Moda: quando limpar memórias abre espaço para o reencontro com você mesma
Ho’oponopono e moda, juntos. Você já percebeu que algumas coisas terminaram, mas continuam acontecendo dentro de você? A conversa acabou. A relação acabou. O problema passou. A situação ficou para trás. Mas basta alguma coisa acontecer no presente para aquela sensação voltar. É quase como se o passado tivesse esquecido de ir embora.
Talvez limpar seja justamente abrir espaço para ouvir novamente a própria voz.
Quantas vezes você já abriu o guarda-roupa cheio de roupas e pensou: “Eu não tenho nada para vestir”?
Talvez o problema nem sempre esteja na quantidade de roupas. Às vezes, existe outra coisa ocupando espaço ali. Uma roupa que você comprou para agradar alguém. Uma peça que lembra uma fase que terminou.
Aquela calça que você guarda porque um dia vestiu um determinado número. Uma roupa que você não usa, mas também não consegue tirar do armário. Uma peça comprada por impulso, porque naquele momento você precisava se sentir diferente.
E existem aquelas roupas que simplesmente deixaram de conversar com você.
O guarda-roupa pode parecer silencioso, mas ele registra muita coisa. Ao longo de mais de uma década ouvindo mulheres e estudando e analisando comportamento, uma coisa ficou cada vez mais evidente para mim: a relação com a roupa raramente é somente sobre a roupa.
E talvez o problema nem esteja nas roupas. Talvez precise olhar para as histórias que ainda estão penduradas nos cabides.
É justamente nesse ponto que Ho’oponopono e Moda podem se encontrar e se tornarem aliados.
Não para transformar a moda em uma prática espiritual, nem para transformar o Ho’oponopono em uma técnica de estilo, mas para fazer uma pergunta muito mais interessante: o que acontece quando aquilo que você trabalha dentro de você começa a aparecer também nas suas escolhas?
É aí que entramos em um território de ação e efeito.
Ho’oponopono: muito além das quatro frases
Antes de chegar à maneira como eu relaciono Ho’oponopono e Moda, existe algo importante: Ho’oponopono não nasceu como uma sequência de quatro frases para ser repetida mecanicamente.
O Ho’oponopono é uma prática tradicional havaiana associada à reconciliação, à restauração da harmonia e à resolução de conflitos. Mas é importante compreender que buscar harmonia não significa, necessariamente, permanecer em uma relação, insistir em uma aproximação ou assumir a responsabilidade por mudar o outro.
Em relações marcadas por abuso, manipulação e violência, cuidar de VOCÊ também pode significar estabelecer limites, criar distância e se afastar. Você pode trabalhar aquilo que acontece dentro de você sem transformar esse processo em uma obrigação de manter uma relação que lhe faz mal. Coloco isso aqui, como um ponto fundamental de atenção e autodefesa, fui clara, cidadã?
Fontes da Universidade do Havaí descrevem o Ho’oponopono como uma prática voltada ao reconhecimento das emoções, ao arrependimento, ao perdão e à comunicação, dentro de um processo de resolução e harmonização. Reforço: esse processo, porém, não significa necessariamente reconstruir ou manter uma relação.
Em determinadas situações, a harmonia pode estar justamente em reconhecer os próprios sentimentos, estabelecer limites e escolher a distância necessária para preservar a própria integridade.
A palavra passou por diferentes contextos e interpretações ao longo do tempo. Na sua forma contemporânea individual, ganhou especial projeção através de Morrnah Nalamaku Simeona, uma kahuna lapaʻau havaiana que desenvolveu o Self I-Dentity through Ho’oponopono, uma atualização que possibilitou a prática individual. Morrnah foi reconhecida pelo Estado do Havaí como Living Treasure of Hawaii em 1983.
É importante fazer essa distinção porque existe uma tendência de colocar toda a história do Ho’oponopono dentro de uma mesma caixa. E não é tão simples assim.
Existe uma tradição cultural havaiana. Existe o trabalho de Morrnah. Existe a divulgação posterior associada ao Dr. Ihaleakala Hew Len. E existe aquilo que cada pessoa experimenta na própria vida.
Essa diferença importa porque preservar a origem de uma prática também é uma forma de respeitá-la, em vez de reduzi-la a uma tendência de internet ou a uma fórmula pronta.
A prática pode produzir transformações profundas em uma pessoa. Quando entra no campo da consciência, da experiência individual, da ação, da cocriação e daquilo que a pessoa passa a produzir a partir de uma mudança interna. Tudo pode ser possível.
Ho’oponopono e Moda: onde começa o encontro
É aqui que eu entro.
Quando penso em Ho’oponopono e Moda, penso na mulher que está diante do seu guarda-roupa | closet. Você.
É nesse ponto que o Ho’oponopono deixa de ser uma informação interessante e começa a ganhar uma dimensão prática. A consciência leva ao movimento. Quando aquilo que você percebe dentro de si mesma começa a interferir nas suas escolhas, existe ação. E toda ação produz algum efeito.
Antes de tudo: eu começo me abençoando
Eu posso falar sobre isso também porque estou vivendo essa experiência. Desde que comecei a praticar Ho’oponopono, percebo uma diferença gigantesca em mim. E existe algo muito particular na maneira como eu começo : eu começo me abençoando.
Isso é muito importante para mim; porque eu não começo olhando para mim como alguém que precisa ser consertada.
Não começo pela culpa. Não começo pela falta. Não começo pensando em tudo aquilo que fiz errado. Não começo reconhecendo aquilo que não gera visão ampla de mim mesma. Eu começo me abençoando e colocando-me como responsável em uma grande transformação.
E, para mim, isso representa uma escolha de investimento em mim mesma.
Quantas mulheres passam a vida investindo nos filhos, no trabalho, na casa, no relacionamento, nos projetos, na aparência, nas necessidades dos outros e, quase nunca percebem que também precisam investir nelas mesmas?
A bênção, nesse sentido, é uma ação. É dizer para si mesma: eu me reconheço, eu me acolho, eu estou aqui para me abraçar.
E, a partir daí, as quatro frases ganham sentido. Elas passam a se movimentar em profundidade. O subconsciente começa a ter uma nova reprogramação, sendo ele responsável em materializar novos fatos, inclusive, mudança de padrões de comportamento.
Sinto muito. Por favor, me perdoe. Eu te amo. Eu sou grata.
Talvez você já tenha ouvido essas quatro frases milhares de vezes. Mas existe uma diferença enorme entre repetir palavras e sentir o que elas significam para você.
Para mim, essa é uma das grandes forças do Ho’oponopono. Eu não as vejo como uma fórmula automática. Vejo como um movimento.
“Sinto muito” representa, para mim, um reconhecimento. Eu posso sentir muito por pensamentos, comportamentos e vibrações que permiti em mim e, que não me levaram a lugar nenhum ou que me levaram, repetidamente, para o negativo.
Pensamentos que me diminuíram, que me prenderam, que me fizeram permanecer em lugares internos que já não precisavam continuar ocupados. Sinto muito. Eu reconheço.
“Por favor, me perdoe” é ainda mais íntimo. É pedir perdão para mim mesma. Por quantas vezes fui dura comigo? Por quantas vezes me abandonei emocionalmente? Por quantas vezes me cobrei mais do que cobraria qualquer outra pessoa? Por quantas vezes deixei de me ouvir?
Pedir perdão para si mesma não significa negar responsabilidade. Significa também reconhecer que você pode ter sido aquela, que mais se feriu no processo.
“Eu te amo” é uma frase que faz você despertar o amor próprio. Porque não é simplesmente dizer “eu te amo”. É começar a conhecer a mulher que está aí. É voltar para você. É parar de se tratar como um projeto eternamente inacabado. É permitir que exista amor antes da exigência de mudança.
“Sou grata”. Não necessariamente por tudo que aconteceu, mas pela vida, pelo caminho, pelo aprendizado, pelo que você já atravessou e que muitas vezes, você foi capaz de ter coragem e voltar para si mesma, pela possibilidade de continuar e pela oportunidade de se sentir novamente.
Abençoar, reconhecer, perdoar, amar, agradecer.
Não é só uma sequência. É um movimento de amor, encontro e reencontro consigo mesma. No caso deste artigo, falando diretamente com VOCÊ, MULHER.
E onde entra a ação?
Aqui vem um ELO DE LIGAÇÃO.
Tirar o Ho’oponopono de uma caixinha significa justamente não deixá-lo restrito ao momento, em que você repete as frases. O que você faz depois? AS RESPOSTAS SEMPRE CHEGAM.
Você percebe que determinado pensamento só alimenta negatividade. E então? Você começa a questioná-lo.
Percebe que está se tratando com indiferencia. E então? Você muda a maneira como conversa com você.
Percebe que está mantendo uma situação por culpa. E então? TRANSFORMA A CULPA EM RESPONSABILIDADE.
Percebe que continua comprando coisas para receber aprovação. E então? Você começa a perguntar: “Eu realmente preciso disso ou estou dependendo em ser aprovada por isso?”
É aí que existe ação e efeito.
E isso é mudança de comportamento. Questione, mentalmente, sempre.
O seu guarda-roupa também pode participar dessa conversa
Agora volte comigo para o seu guarda-roupa.
Abra as portas. Olhe. Mas, desta vez, não comece perguntando o que está na moda. Pergunte: por que eu ainda guardo isso?
Essa roupa me representa? Eu gosto dela? Ela pertence à minha vida de hoje? Estou mantendo essa peça porque ela carrega uma memória? Comprei para mim ou para alguém? Estou deixando de usar porque não gosto ou porque tenho medo do olhar do outro?
Perceba como uma simples peça pode abrir uma conversa muito maior.
Uma roupa pode carregar uma lembrança. Uma lembrança pode carregar uma emoção, um sentimento. Uma emoção pode influenciar um comportamento. E um comportamento repetido pode interferir nas escolhas e se tornar um gatilho, cujo alvo é você.
É por isso que, para mim, Moda com Terapia nunca foi simplesmente falar sobre roupa. É olhar para a mulher que veste aquela roupa. O teu guarda roupa muda junto com as suas descobertas internas.
O que você faz com aquilo que descobre?
Talvez você descubra que determinada peça não faz mais sentido. Talvez descubra que ela ainda faz. Talvez perceba que estava usando uma roupa tentando recuperar uma mulher que você foi. Talvez perceba que estava evitando uma peça, porque ainda não se permitia ocupar determinado espaço. Talvez simplesmente descubra, que precisa parar de comprar tanto e começar a escolher melhor.
Não existe uma cartilha. Não existe uma regra dizendo que você precisa esvaziar o armário para “se libertar”. Talvez você doe. Talvez guarde. Talvez volte a usar. Talvez transforme.
A ação precisa fazer sentido para você.
Porque o objetivo não é criar mais uma obrigação feminina. Já existem obrigações demais.
O objetivo é perceber. E, depois de perceber, escolher. Faça as suas escolhas, mas sabendo o por quê.